Insana – Meu mês de loucura – Susannah Cahalan

Autora mulher, jornalista e com doença mental. Que mais eu poderia querer de um livro???

“Tive de passar em meio ao agrupamento infernal de turistas na Times Square para chegar ao meu apartamento em Hell’s Kitchen. Eu alugava um JK abarrotado, onde dormia em um sofá-cama. Era como se eu vivesse propositalmente o clichê de uma escritora nova-iorquina.”

Insana é a história real do período difícil da vida de Suzannah Cahalan, uma jornalista de Nova York que lutou por meses contra uma doença que ninguém conseguia diagnosticar. A referência do “mês de loucura” é de quando ela ficou internada e quando passou os piores dias da doença. Um dia começou a agir de forma completamente fora do seu normal e foi piorando até ser internada em um hospital nos EUA. Foi submetida muitos testes e exames, e ninguém conseguia identificar qual era o problema. E ela ia ficando cada vez pior, desenvolvendo tiques, perdendo habilidades, tendo convulsões.

“Uma parte de mim acreditava que eu nunca voltaria a ser eu mesma, a ser aquela Susannah confiante e despreocupada.”

Sendo um problema no cérebro, a maior parte das memórias dela daqueles dias sumiram. Então o livro acabou surgindo de uma pesquisa que ela fez para descobrir tudo que aconteceu, entrevistando médicos, enfermeiros, familiares, amigos, e vendo as gravações do quarto do hospital. Aliás, fui procurar depois e achei uma foto bem tensa dela internada AQUI.

“Olhando em retrospecto para esse período, percebo que eu tinha começado a me entregar à doença, permitindo que todos os aspectos da minha personalidade que eram caros para mim – paciência, simpatia e educação – evaporassem. Eu havia me tornado uma escrava das maquinações de meu cérebro anômalo. No fim das contas, não somos mais do que uma soma de nossas partes, e quando nosso corpo falha todas as virtudes que nos são caras vão junto com ele.”

Eu já sabia que no fim ela ia melhorar (afinal, foi ela quem escreveu o livro), mas fiquei totalmente ansiosa durante a leitura pra saber o quanto tudo aquilo tinha deixado de sequela na vida e na mente dela. O sofrimento que ela passou é de desesperar. A falta de diagnóstico também é uma das coisas mais angustiantes do livro. Algumas partes eram até difíceis de ler, como se eu sentisse um pouco do peso que ela estava carregando na época. Da metade para o final eu devorei o livro, ansiosa para saber o que aconteceria com ela, mas principalmente pra chegar na parte feliz onde ela para de sofrer.

“As coisas ainda ficariam piores antes de começarem a melhorar.”

Alguns detalhes da história também me afetaram. Seus pais envelhecendo de preocupação a cada procedimento complicado ou a cada exame sem resultado. Seus amigos preocupados e sem saber como lidar com ela. Seus delírios que pareciam tão reais. Fiquei por muito tempo depois da leitura imaginando como as pessoas ao redor de alguém doente sofrem tanto ou mais que a própria pessoa. Sei que eu sofreria pelas pessoas que eu amo se as visse passando por dificuldades tão grandes.

“Na maior parte do tempo eu ficava olhando para o vazio sem qualquer demonstração visível de emoções – agora, minha psicose havia sido completamente substituída pela passividade. Ainda assim, esse estado de indiferença às vezes era pontuado por uns poucos pedidos apaixonados de ajuda. Nos meus raros momentos de aparente lucidez […], meu pai sentia como se uma parte essencial de mim estivesse tentando chegar até ele.”

Insana explica um monte de coisa médica: como funciona certas partes do corpo, pra serve o que, como agem algumas doenças, como agem alguns medicamentos, como são feitos procedimentos médicos e etc.
Mas a autora usa os termos mais simples possíveis para explicar, além de fazer paralelos e usar metáforas para melhor compreensão de nós, meros mortais que não somos médicos. Acabou que aprendi um monte de coisa nova e interessante!

“O cérebro é radicalmente resiliente; ele pode criar novos neurônios e estabelecer novas conexões por meio de um remapeamento cortical, um processo chamado neurogênese. Nossas mentes têm a incrível capacidade de alterar a força das conexões entre neurônios, basicamente recriando as ligações entre eles, e de criar caminhos totalmente novos. (Em comparação, um computador – que não é capaz de criar novos hardwares quando seu sistema falha – parece algo obsoleto e pouco potente.) Essa espantosa maleabilidade é chamada de neuroplasticidade.”

Susannah Cahalan é uma pessoa em 7 bilhões no mundo, mas durante a leitura ela é a pessoa ao seu lado, a pessoa que você acompanha durante as 286 páginas. Livros como esse me fazem pensar em como cada vida é importante, e em como costumamos generalizar e nos distanciar do sofrimento dos outros. Saber as histórias individuais e criar uma proximidade com outra pessoa, com as dores e dificuldades dela, exercita o meu lado humano, me relembra de que existe mais por aí do que apenas o meu mundinho colorido. Por isso e por tudo mais que falei aí em cima, esse é um livro que vou lembrar durante a vida toda.

“Uma pergunta insistente emergia dessa história: se havia levado tanto tempo para um dos melhores hospitais do mundo chegar a esse passo do tratamento, quantas outras pessoas ficavam sem tratamento, recebendo um diagnóstico genérico de doença mental e sendo condenadas a uma vida em uma clínica ou uma ala psiquiátrica?”

Ps: A descrição de um tumor chamado Teratoma me arrepiou até os pelos que eu não tenho! Cometi o erro de procurar no Google Imagens. Estou impressionada há dias, sem conseguir esquecer o que vi.

“Eles sentiram a garganta secar em um misto de terror e esperança. Aquela era a pista final pela qual todos estavam procurando.”

Livro: Insana
Autora: Susannah Cahalan
Editora: Belas Letras
Número de páginas: 286

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8 trailers e teasers para atiçar sua ansiedade!

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Nesse final de semana aconteceu a Comic Con de San Diego, a maior e mais importante do mundo. E como em toda Comic Con, várias novidades foram apresentadas. Não fui (I wish!), mas a minha timeline do Facebook foi dominada por trailers e teasers de filmes e séries, me deixando com fogo no rabo pra assistir tudo! Então separei aqui os vídeos mais sensacionais, pra você ficar morrendo de ansiedade junto comigo! 🙂 Enjoy!

Filme: Mulher Maravilha (estou arrepiada até agora! melhor personagem do mundo!) <3

 

Filme: Esquadrão suicida (muito mais interessada na arlequina e na magia do que no coringa, que com certeza não vai ganhar do Heath Ledger)

 

Filme: Liga da Justiça (tudo que eu consigo pensar nesse momento é: KHAL DROGO! KHAL DROGO!)

 

Filme: Animais fantásticos e onde habitam (essa música me dá vontade de chorar <3)

 

Filme: Rei Arthur – A lenda da espada (o cara de sons of anarchy, jude law e o Lord Baelish no mesmo filme, gente!)

 

4ª temporada de Sherlock (e o benedict cumberbatch cada vez melhor!)

 

O exorcista – a série (baseada no filme mais clássico de terror, e com o Alfonso Herrera! Não tem como errar!)

 

7ª temporada de The Walking Dead (JESUS CRISTO, preciso saber quem morreu!!!)

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O Caminho Estreito para os Confins do Norte – Richard Flanagan

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Minha história com esse livro começou conturbada, brigamos muito no começo, não nos entendíamos, ele não me dava prazer, nosso lance era quase uma obrigação. Mas aí eu fui descobrindo aos poucos como lidar com ele e as coisas foram melhorando aos poucos até eu entender o seu real valor.

Não foi um livro fácil. A linguagem dele é bastante rebuscada, com longas frases e muitas vírgulas. São usadas muitas expressões com as quais eu não estou familiarizada, algumas relacionadas à guerra. Os diálogos são jogados no meio da frase, sem aspas ou qualquer coisa pra indicar. E o que eu mais tive dificuldades: a história mistura passado e presente, confundindo bastante. Mesmo assim segui em frente, e não me arrependi de ter terminado. Os sentimentos que ele me provocou foram fortes e me obrigaram a refletir sobre algumas coisas.

“É nossa fé em ilusões que torna a vida possível, Squizzy, ele havia explicado, no mais próximo de uma explicação de si mesmo que jamais oferecera. É acreditar na verdade que acaba com a gente toda vez.”

Dorrigo Evans é um médico australiano que é feito prisioneiro de guerra pelos japoneses e obrigado a trabalhar na construção de uma ferrovia que ligaria a Tailândia com a Myanmar (antiga Birmânia) e que viria a ser conhecida como ferrovia da morte. Estima-se que mais de 100 mil pessoas morreram nessa construção. A história é baseada no que o pai do autor passou em sua época de prisioneiro da ferrovia.

A história vai e volta no tempo, misturando a vida atual de Dorrigo Evans com suas lembranças e seu passado. Dá a impressão (provavelmente proposital) de estar, junto com ele, meio perdido entre o presente e as memórias. Mas o livro não é apenas sobre Dorrigo e sua visão dos acontecimentos. Os outros prisioneiros, a mulher da vida de Dorido e até os oficiais japoneses também tem voz no presente e no passado. E isso torna o livro incrivelmente profundo e complicado.

“Não havia outra escolha em tudo aquilo: ou a pessoa existia para o imperador e para a ferrovia – que era, afinal, a materialização da vontade do imperador -, ou ela não tinha nenhuma razão para viver ou mesmo para morrer.”

Tiveram muitas narrações de horrores que aconteceram durante aquela guerra. Os prisioneiros sofreram em um nível que eu não saberia suportar. Mesmo com as descrições detalhadas do estado das pessoas lá, não posso falar que entendo o que passaram. Foi muito intenso e surreal. Todo tipo de doença, muita fome, exaustão, espancamentos, morte atrás de morte. Uma das piores partes, pra mim, foi a dissecação de pessoas vivas e sem anestesia. Foi o que me deixou mais impressionada. É tão absurdo pensar que pessoas reais já passaram por isso!

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Os personagens da história não apenas passaram por emoções fortes, profundas, insuportáveis, como as carregaram pela vida. Durante a história de alguém, inesperadamente vamos para o futuro dessa pessoa e nos descobrimos observando coisas não superadas, sentimentos não condizentes com a realidade vivida pelo ex prisioneiro de guerra. É forte. É complicado. Como esperar lógica de alguém que passou tanta coisa ilógica?

“Fosse o que fosse aquele fedor, ele temia que o estivesse contagiando, e só queria escapar dele. Mas ele tinha de ajudar Tiny. Ninguém lhe perguntava por que fazia isso; todos sabiam. Ele era um companheiro. Darcy Gardiner detestava Tiny, achava-o um tolo, mas faria qualquer coisa para mantê-lo vivo. Porque coragem, sobrevivência, amor – todas essas coisas não existiam em um homem. Elas existiam em todos eles, ou eles morriam, e cada homem morreria com elas; eles acabaram por acreditar que abandonar um homem era o mesmo que eles próprios se abandonarem.”

Eu comecei a entender a real importância dos direitos humanos. Os prisioneiros de guerra eram tratados como ferramentas descartáveis pelos japoneses. Mas ao mesmo tempo me vi impressionada pela fé cega dos japoneses na honra e no imperador, o patriotismo maior do que qualquer sentimento. Saber que tudo isso foi real, que os personagens foram baseados em entrevistas que o autor fez com pessoas de ambos os lados (prisioneiros e soldados) que realmente passaram por tudo aquilo, mexeu comigo.

Esse foi o livro de maio da TAG, e a revista que veio junto ajudou demais! Tinha informações sobre o autor, a obra, Arch Flanagan (o pai do autor que inspirou o livro), a ferrovia e tal. Um dos fatos mais interessantes da vida do autor é que ele escreveu o livro para o seu pai, em memória a tudo que ele e seus companheiros passaram. Seu pai acompanhava o andamento do livro com empolgação e ansiedade. Flanagan escreveu 5 rascunhos, que queimou após sua visita a alguns militares do Japão, e finalmente terminou O Caminho Estreito Para os Confins do Norte 10 anos depois. No dia que o autor terminou o livro, foi até a casa de seu pai contar a novidade. Na mesma noite Arch Flanagan morreu.

“O que os hieróglifos nos dizem sobre como era viver debaixo do chicote, construindo pirâmides? Nós falamos disso? Falamos? Não, nós falamos da magnificência e da majestade dos egípcios. Dos romanos. De São Petersburgo, e nada dos ossos das centenas de milhares de escravos sobre os quais está erguida. Talvez seja assim que eles se lembrarão dos japas. Talvez todas as suas ilustrações acabem sendo usadas para… justificar a magnificência desses monstros.”

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Livro: O Caminho Estreito para os Confins do Norte
Autor: Richard Flanagan
Editora: Biblioteca Azul (Globo Livros)
Número de páginas: 430

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Primeiro livro publicado!

CAPA

Quem já me conhece há algum tempo deve ter ouvido pelo menos uma vez na vida minha pessoa afirmando que escreveria um livro um dia. Pois bem, escrevi! Não um livro de ficção (ainda), mas um compilado das minhas poesias, aquelas que eu achei mais legais.

O livro se chama Digavando em Poesia (acho que a relação aqui está clara) e foi colocado à venda na Amazon, pelo menor valor da tabela deles. Meu intuito com ele é o mesmo da Newsletter ou do blog: ser lida.

Se comprar o livro: MUITO OBRIGADA. Fará uma escritora feliz! Se não puder comprar, mas me ajudar a divulgá-lo: MUITO OBRIGADA! Me fará tão feliz quanto! E se puder comprar E me ajudar a divulgar, bom, aí você merece um abraço de urso e a gratidão eterna, né! \o/

Não tem Kindle ou outro leitor de e-book? Não tem problema! Você pode baixar o aplicativo (de graça!) do Kindle para Android ou IOS e ler no celular! 🙂

Só queria registrar aqui que estou muito feliz, eu diria inclusive em êxtase, por estar publicando meu primeiro e-book da vida. Obrigada a todas as pessoas que lêem meus textos, esse livro é pra vocês! <3 (se você ler, por favor, me conte depois o que achou!)

Se você gosta muito do que escrevo, das resenhas que faço, das Newsletters que mando, e gostaria de fazer uma boa ação para uma pobre escritora sem dinheiro para comprar novos livros, você pode fazer uma doação! Qualquer valor, sem compromisso algum, só clicando no botão a baixo e doando pelo PagSeguro. Eu serei imensamente grata! E se quiser me mandar e-mail pra gente conversar, também vou ficar bem feliz! 🙂

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Dois dramas para assistir no fim de semana

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O LOBO ATRÁS DA PORTA

O lobo atrás da porta é aquele tipo de filme que te surpreende em vários sentidos. Assisti sem expectativa alguma e posso afirmar que foi uma das melhores tramas que vi esse ano, cheio altos e baixos e muita (muita mesmo) carga emocional. E escolheram os atores certos para os papéis!

O enredo parece simples: um cara que trai a mulher, a relação da mulher com o cara, da amante com o cara, enfim. Mas não é. E nem posso contar muito para não dar spoiler, mas o final desse filme é INCRÍVEL. Daqueles finais que te deixa pensando depois que acaba.

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JÁ ESTOU COM SAUDADES

Jess e Milly são duas amigas que se conhecem desde pequenas e dividem todos os momentos. Jess é a ~certinha~ que busca viver sua vida de uma forma segura, fazendo sua parte na sociedade, compartilhando amor com sua amiga e seu marido, com quem está tentando ter um filho. Milly é ~porra-louca~, que se casou no impulso de uma paixão por um rockstar, teve três filhos e vive com o máximo de emoção que consegue. E aí, Milly descobre que está com câncer.

As personagens principais, são interpretadas por Drew Barrymore e Toni Collete, completamente certas para os papéis! E a interação das duas, meodeos, que show de interpretação!

O foco é o amor entre as duas amigas e as famílias, e tudo que envolve ter um amigo a quem se ama tanto e morre de medo de perder. Eu, que tenho alguns melhores amigos para quem daria a vida, me emocionei e me identifiquei. <3

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Amor à moda antiga – Carpinejar

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Fabrício Carpinejar é um escritor de Porto Alegre com mais de 20 livros publicados. Ele ganhou de aniversário de 43 anos uma máquina de escrever verde (mesma cor da minha!). Nela, ele se dedica a escrever poemas de amor. Alguns desses poemas foram publicados pela Belas-Letras do mesmo jeito que o autor os entregou: sem revisão, mudanças, nada. Então os textos tem rasuras, coisas escritas à mão, e nenhum retoque.

O livro físico é demais! Acho importante ressaltar isso, porque foi uma das coisas que mais me apaixonou, o trabalho lindo (e que combina com o conteúdo!) que a editora fez. Ele foi feito com capa dupla, branca por baixo e verde por cima – pra combinar com a máquina dele -, com textura e detalhes delicados. Por dentro, uma página é o poema, a outra é verde também. No final tem umas fotos do Carpinejar com sua máquina verde. E tem poemas escondidos embaixo das orelhas da capa!

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Acho bem difícil de falar sobre um livro de poesia. Não é uma ciência exata, nem tem uma resposta certa ou única, é sentimento em palavras. Mas gostei muito dos textos (até copiei os melhores no meu Bullet Journal, para inspiração)! Alguns achei engraçado, outros românticos, outros sexy. Alguns poucos eu simplesmente não entendi, mesmo relendo. Alguns me tocaram tanto que decorei. Mas acho que é assim mesmo, às vezes você não entende o suficiente pra sentir. Faz sentido?

Carpinejar já tem uma história de amor com a internet, já que faz sucesso no Facebook e no Twitter há um tempo. Agora ele abriu um projeto no Catarse (site de financiamento coletivo) para bancar seu casamento, dando recompensas pra quem ajudar.

A Belas-Letras também fez um concurso que escolheu as melhores histórias de amor e fez alguns livros com a capa personalizada para os casais ganhadores. Você pode ler algumas das histórias de amor AQUI. Gente, que lindeza! <3

Para quem gosta de poemas, recomendo muito ter esse livro! Ele, inclusive, é bem baratinho. Quem sabe os poemas escritos na máquina de escrever (tão old school) não te inspirem?

Você sabia que eu também escrevo poesia de vez em quando? LEIA AQUI!

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Livro: Amor à moda antiga
Autor: Fabrício Carpinejar
Editora: Belas-Letras
Número de páginas: 105

Compre no Submarino aqui!

 

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O Ciclista Mascarado – Neil Peart

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Quando vi a capa de O Ciclista Mascarado, da Editora Belas-letras, fiz uma conexão involuntária com Guia de uma ciclista em Kashgar, e me veio aquela sensação gostosa de saudade que um livro bom sempre deixa. Mas tirando a existência de bicicletas e a estranheza de lugares completamente diferentes dos que já conheci, eles não tem nada em comum.

O ciclista mascarado é a narração de uma viagem de um mês por Camarões (na África), feita pelo baterista do Rush, com um grupo de mais 4 pessoas que ele não conhecia. Uma biografia real, quase um documentário escrito, onde ele descreve os lugares e pessoas que conhece, com a visão de um canadense comum que gosta de viajar de bicicleta.

“De certa forma, eu tinha a dolorosa consciência de estar deitado num chão sujo; por outro lado, percebi que estava deitado num chão sujo na África. Ao pensar nisso, fiquei animado, aguardando ansiosamente um mês inteiro de aventuras pela frente.
Mas no fundo eu sabia que um mês pode ser um longo tempo.”

Foi um livro bem fácil de ler, mesmo nas partes em que Neil descambava para a filosofia sobre a vida, o universo e tudo mais. Ele fala bastante de política e religião também, fazendo paralelos com o que está vivendo lá.

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Muitos comentários que ele fez no livro me deixaram com vontade de ler mais sobre os países e a história da África, ir mais a fundo. Às vezes me parecia que Neil Peart também estava interessado em saber mais. Talvez depois da viagem ele realmente tenha pesquisado sobre os lugares por onde passou, porque tem bastante informação lá sobre história e costumes locais.

“Antigamente, os africanos viviam confortável e adequadamente nus, ou quase isso, e haviam sido os missionários pudicos, frequentemente emissários da civilização ocidental, que convenceram os africanos de que Deus queria que eles usassem calças, camisas, vestidos. Embora a África finalmente tivesse se livrado do domínio do homem branco, algumas coisas, embora estranhas à visão de mundo africana, ficaram implantadas profundamente – comércio, política, imóveis, fronteiras coloniais e modéstia.”

O baterista escreve muito bem! Seu texto é fluído, às vezes engraçado, às vezes sério, mas com uma sinceridade crua em tudo que escreve. Terminei rápido porque foi uma leitura gostosa, e já arrumei outro livro dele: Ghost Rider – A Estrada da Cura (resenha assim que eu terminar de ler). Ele realmente tem espírito de viajante, e quero conhecê-lo um pouco mais.

“Já vi lugares mais pobres do que Kumba, na China e em outras partes da África, e veria muitos outros vilarejos mais empobrecidos em Camarões, mas nenhum lugar seria tão miserável quanto kumba. Sua miséria não era fruto da pobreza, havia acontecido algo mais lá.”

Eu morro de vontade de fazer isso, um turismo ciclístico em algum lugar ermo que ninguém costuma ir, e conhecer pessoas e culturas totalmente diferentes da minha. Mas tenho consciência de que amo o romance dessa ideia, não a ideia em si. Sendo sincera comigo mesma, sei que não aguentaria o que Neil Peart aguentou. Falta de água, de energia, comida estranha, calor infernal, muitas horas pedalando. A maior parte do tempo ele tomou ~banho de gato~, com pano úmido, e dormiu no saco de dormir, no chão. Vaso sanitário era coisa rara. Bebida gelada então, nem se fala! Acho que, nesse caso, prefiro conhecer Camarões através da leitura de livros, no conforto do meu sofá.

“Pelos comerciais de TV e anúncios em revistas, sempre pensei no Corpo da Paz como um bando de garotos trabalhando juntos em algum lugar exótico, uma espécie de ‘acampamento de verão’ com um toque de aventura e camaradagem. Mas aqui estava a realidade: uma jovem recém-formada na faculdade, mal saída da adolescência, presa sozinha num lugar remoto por longos dois anos, a única americana,a única pessoa branca em muitos quilômetros.”

Livro: O Ciclista Mascarado
Autor: Neil Peart
Editora: Belas-Letras
Número de páginas: 333

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