­

Feliz dia do orgulho nerd / toalha

Você tá sabendo que hoje é o dia da toalha, né?
Bom, o dia da toalha, ou dia do orgulho nerd, foi criado em homenagem à coleção de livros Guia do Mochileiro das Galáxias, do Douglas Adams. É importante que você leve uma toalha com você se quiser viajar pelas galáxias (veja o infográfico achado por aí na internet).

A data ficou ainda mais forte quando, em 1977 foi lançado o filme Star Wars Episódio IV – Uma Nova Esperança. Agora é amplamente comemorada pelos nerds do mundo todo. Tá rolando muita coisa legal na internet, e eu reuni algumas dessas coisas aqui!

O Spotify montou a playlist Supernerd, com músicas de jogos, filmes e séries! Tem cada coisa legal e Old School!

Praticamente todos os sites estão com promoções de produtos geeks. A Amazon, por exemplo, está dando descontos de até 70% em livros e quadrinhos, além de estar com valor promocional de 179 reais no Kindle mais simples deles. Legal, né?

Separei as ofertas que eu mais gostei!

Olha o preço original:


Os 5 primeiros volumes de Game Of Thrones estão por 49,90!


Outros livros em promoção!

 

Ofertas do Submarino:

122294810_2GGdemonologista-3d

 

Veja o que o povo está postando por aí nas redes sociais! (é só clicar nos ícones)

instagram-logo-vector-download-400x400unnamed-5

Espero que tenham gostado! E não entre em pânico! 🙂

 

 

 

 

By |maio 25th, 2016|De verdade|0 Comments

Porque, na verdade, nada acontece na inércia

Foto: Agatha Christie (Popperfoto/Getty Images)

Uma coisa que me abala quando estou sensível ou com baixa autoestima é assistir a filmes com personagens que têm vida e rotina como as que eu gostaria de ter. Fico no sofá, mimizenta, vendo alguém se dar bem, depois se dar mal, pra se dar bem de novo no final, em Nova York ou em Londres (onde sonho em viver um dia), vivendo da escrita, cheio de dinheiro e, o mais importante de tudo, com tempo.

Lutei bravamente durante a vida toda contra um rótulo que na verdade eu sempre quis ter: escritora. Lutei, como disse Amanda Palmer em A Arte de Pedir, por causa da Patrulha da Fraude: aquela parte dentro de todo artista que diz que na verdade você não é artista coisa nenhuma, que escritor (no meu caso) é aquele intelectual que inventa um mundo fenomenal enquanto está no chuveiro, que coloca tudo magnificamente no papel e tem seu nome impresso na capa de um livro publicado por alguma grande editora. Uma blogueira, que ganha a vida como redatora publicitária, e que escreve suas ideias e histórias ainda não publicadas no Evernote (às vezes pelo celular a caminho de casa ou do trabalho) não pode ser uma escritora. Certo? Errado.

“Não existe o ‘caminho certo’ para se tornar artista de verdade. Você pode achar que vai ganhar legitimidade se fizer um curso de artes, se for publicado, se for contratado por uma gravadora. Mas tudo isso é conversa mole e está só na sua cabeça. Você é artista quando diz que é. E é um bom artista quando faz outra pessoa sentir ou vivenciar algo profundo ou inesperado.”
A Arte de Pedir – Amanda Palmer

Eu sou uma escritora. Mesmo que ainda esteja em processo de me tornar boa, a parte “escritora” já sou. Provavelmente sempre fui, desde pequena quando descobri meu amor incondicional pelos livros, minha necessidade intensa de colocar tudo no papel. Mas não foi fácil me convencer disso, e ainda não aprendi como gerenciar essa parte da vida com todo o resto.

Todos os melhores filmes/livros de escritores que já vi/li tem uma coisa importante em comum: tempo, tanto de sentar pra escrever, quanto de ficar meditando em busca de inspiração. Nenhum dos personagens tem que trabalhar o dia todo, ir pra faculdade à noite e limpar a casa aos fins de semana. Nenhum deles precisa fazer hora extra ou passar madrugadas acordado colocando os trabalhos em dia. Nenhum deles precisa manter o tempo livre equilibrado entre dar atenção ao namorado, terminar os trabalhos do curso e descansar.

Vira e mexe me pego brigando comigo mesma por não estar escrevendo o suficiente, produzindo o suficiente. Mas trabalho 8/9 horas por dia, com 1 hora de almoço, e demoro cerca de 2 horas por dia na ida e na volta para o trabalho. Está somando comigo? Isso dá quase 12h, de segunda a sexta. Chego em casa entre 20h e 21h, preciso cozinhar, jantar, tomar banho, lavar louça, dar comida para os gatos. Com tão pouco tempo livre e tanta coisa pra fazer, por que brigo comigo mesma, então?

Bom, me cobro dedicação à escrita pelo bem que ela me faz. Veja, são ideias demais na cabeça, bagunçadas demais. Escrevo para não esquecer, para organizar os pensamentos, para dar sentido às histórias (às reais e às imaginárias), para sentir aquele calorzinho de satisfação de terminar algum trabalho. Então escrevo no celular a caminho de algum lugar, na empresa durante o almoço, em casa no tempo livre. Arrumo tempo. Mais devagar do que eu gostaria, sem dúvida, mas ainda sim criando, fazendo os dedos dançarem desengonçados pelo teclado, costurando palavras até formarem um sentido. Porque tem coisas que só saem da gente pelos dedos.

“Então, se puder concluir alguma coisa, conclua! Só com isso você já estará quilômetros à frente da maioria.”
Grande Magia – Elizabeth Gilbert

Esse post foi incentivado pelo grupo Discípulas de Carrie, para escrever uma coluna inspirada em Carrie Bradshaw, personagem de Sex And The City. Que, aliás, era escritora. <3

By |maio 23rd, 2016|De verdade|2 Comments

Música da semana!

By |maio 17th, 2016|Música|1 Comment

Bullet Journal – Nunca vi nem comi, eu só ouço falar

Já tinha lido em blogs por aí sobre o Bullet Journal. Em março resolvi fazer um pra mim, depois de ver ESSE VÍDEO. Adoro escrever, adoro cadernos cheios de coisa, adoro listas, adoro papelaria, então consegui enxergar a ideia como benéfica (e viciante) pra mim. Mas não foi só isso que me motivou. Sou uma pessoa desorganizada na vida, com uma memória horrível e com sérias tendências a procrastinar (parece que essa é a palavra chave da minha geração, mas quem sou eu pra opinar?). Está funcionando muito bem pra mim, ainda que precise de alguns ajustes e do hábito de escrever todos os dias.

COMO FUNCIONA?

O sistema do Bullet Journal foi criado por um americano chamado Ryder Carroll no esquema tentativa-e-erro, até ele conseguir atingir o jeito atual de usar esse planner evoluído. Existe um site pra ensinar você a fazer um Bullet Journal (ou Bujo, para os íntimos), que fala todo o conceito do BuJo e como usá-lo de acordo com a técnica de Carroll.

Basicamente é assim: você faz um calendário do ano, onde escreve os principais eventos/tarefas do mês (aniversários, casamentos, estréias de filmes, feiras, etc). Essa será a visão geral do seu ano, onde você vai lembrar em que mês acontece o que, para se planejar.

Aí você faz um calendário do mês. Lá você vai ter uma visão de tudo que precisa fazer naquele mês, evitando que marque dois almoços no mesmo sábado ou esqueça algum aniversário importante, por exemplo.

Então, por fim, o calendário diário. Esse é tipo agenda normal mesmo, você escreve por dia o que precisa fazer e vai marcando o que já fez, o que não vai fazer mais e o que passou pra outro dia.

O MEU BUJO

Demorei um certo tempo pra me entender com o estilo do Bullet Journal. Comecei seguindo os passos normais, fazendo o índice, os calendários anual, mensal e diário, e algumas listas de coisas da vida. Fui ajustando conforme via o que funcionava ou não pra mim.

Acredito que todos os adeptos do BuJo personalizem seus cadernos de acordo com suas necessidades, e já vi muito exemplo incrível por aí. Muita gente usa o sistema de Keys, os pequenos símbolos indicando cada tipo de tarefa. Eu até tentei por um tempo, mas se tornou contraproducente pra mim tentar decorar o que era cada desenho e ficar voltando pra conferir cada evento/tarefa. Hoje estou usando um quadradinho para tudo, e quando a tarefa, evento ou seja lá o que for estiver concluído eu simplesmente pinto o quadrado todo. Se concluí pela metade, pinto pela metade. Se eu não fiz mas ainda vou fazer em algum outro dia eu desenho uma pequena seta nele. E se não vou fazer mais, risco tudo.

Uso meu calendário anual principalmente para os aniversários e eventos que quero ir (como estreia de filmes, Bienal do livro e Comic Con). É o que eu menos olho, mais ainda acho importante ter. E coloquei nele também calendários dos meses, pra eu não ter que mudar de página se for anotar alguma coisa e precisar saber a data.

Meu calendário mensal, admito, ainda está em construção. Quase não uso por enquanto, porque ainda não achei aquele jeito maroto que facilite minha vida. Mas vamos acompanhar.

Também testei vários métodos de organização dos dias. Comecei usando 2 dias por páginas. Enchia de frases motivacionais, citações de livros, letras de músicas e desenhos porque, na real, não tenho compromissos suficientes pra encher todo esse espaço. Então passei pra 4 dias por folha, em quadrados. Continuava sobrando muita folha. Aí fiz 6 dias por folha e ainda sim era muita página pra pouco conteúdo, e era meio feio. Então vi em algum Instagram da vida duas inspirações: alguém fazia uma lista das coisas que precisava fazer na semana, sem dividir por dias, e ia marcando as coisas finalizadas; outra pessoa fazia os dias da semana em uma lista corrida em uma mesma página. Pronto, descobri o que funciona pra mim! Agora faço os dias da semana em uma página e na outra a lista de coisas a fazer na semana que não tem um dia fixo.

O CADERNO

Já vinha namorando a ideia de ter um Bullet Journal há um tempo, mas o momento de decisão foi quando achei (ou ele me achou?) o caderno ideal pra mim. No site do criador (e em vários outros lugares) a indicação é usar um quadriculado ou pontilhado, que me deixou meio na dúvida. Como sempre usei caderno sem pauta para outras coisas, achei que pra isso também serviria muito bem. E eis que estava andando pela Martins Fontes quando vi esse caderno MARAVILHOSO, todo rosa e lindo me chamando. Caro, admito, mas comprei! E não me arrependo, porque ele é de capa dura, com fita de marcar página e com uma qualidade ótima!As últimas folhas são destacáveis e ele vem com um bolsinho na contra capa, muito útil. Além do elástico tradicional que mantém ele fechado na bolsa, uma necessidade. Veio também uma folha solta um pouco menor do que o caderno com pautas de um lado e quadriculado de outro, pra você colocar atrás da folha que for usar e não escrever/desenhar tudo torto. Sensacional!

Eu comprei o meu na Martins Fontes da Av. Paulista (LINK AQUI), mas você consegue achar várias opções na Kalunga, na Livraria Cultura, no Submarino e afins.

DECORAÇÃO

Já sou uma pessoa viciada em papelaria por natureza. Vivo escrevendo cartas cheias de adesivos, desenhos, coisas fofas. Agora tenho um lugar pra centralizar essa fofice toda! Uso de tudo pra decorar: canetas coloridas, lápis de cor, desenhos, adesivos, recortes, colagem, post-its. A galera mais hardcore do Bullet Journaling usa umas canetas super caras e fodas, que não passam para o outro lado da folha e tal. Eu, pobre que sou, costumo usar uma azul comum pra escrever, e comprei uma preta mais elaborada pra fazer doodles (desenhos) e os quadrados de acompanhamento das tarefas.

Compro várias coisas também no Aliexpress, que demora uns 2 ou 3 meses pra chegar, mas tem TANTA coisa linda e incrível. Estão nos meus planos adquirir washis (aquelas fitas adesivas decoradas) e mais carimbos. Aceito presentes, tá? akshjdakjshd
Essas são as últimas coisas que chegaram do Aliexpress:

Vou deixar no final do post uns links de inspiração, onde eu geralmente perco alguns minutos por dia admirando o talento e bom gosto dos outros.

LISTAS E MAIS LISTAS

Uma das melhores coisas de se fazer um bullet journal, pra mim, são as listas. Organizo tudo em um caderno só: as contas que tenho pra pagar, os itens que compro no supermercado, coisas aleatórias que preciso comprar (que faço em post its para poder tirar quando conseguir comprar), anotações de costura, livros para ler, enfim. Adoro fazer isso! Quando vou comprar um livro novo, por exemplo, dou uma olhada na minha lista e sempre acabo lembrando de algum que queria ler primeiro, ou de algum que se encaixe melhor com meu humor no momento.

Tomo dois remédios todos os dias e vira-e-mexe esquecia se tinha tomado. Comecei a fazer todo mês uma página com 2 calendários e, assim que tomava um remédio (eles têm horários diferentes) grifo o dia de laranja, pra saber que pronto, já tomei. Agora não tenho mais uma página dedicada pra isso, incluí esse controle no Tracker do mês. Na página do Tracker resolvi colocar coisas que preciso ou gostaria de fazer todos os dias do mês, e com o layout simples de preencher quadradinhos conforme faço, ter uma noção mais exata da minha rotina. E todas as páginas que eu escrevo com alguma regularidade, coloco um marcador colorido para achar mais fácil e não precisar ir no índice toda hora.

Uma coisa que copiei também das pessoas por aí foi um Gratitude log, ou registro de gratidão. É uma parte onde escrevo tudo de bom que aconteceu no dia, que me deixou bem e que quero sempre lembrar, por mais bobo ou insignificante que pareça. Uma das minhas metas do ano é ser uma pessoa mais positiva em relação à mim mesma e minha vida, e poder ler uma lista de coisas boas que me acontecem todo dia definitivamente ajuda. Também mantenho no Tracker um controle das boas ações de todo dia, pra me provocar a fazer mais gentilezas para as pessoas, mesmo que seja um bom dia sorridente para o motorista do ônibus. Tudo que vai, volta, não é? 🙂

INSPIRAÇÕES

Espero que tenham gostado do post! Qualquer dúvida sobre Bullet Journal, Aliexpress, papelaria, a vida e etc, estou à disposição! Aceitou sugestões, dicas e críticas também! E deixo aqui alguns links de inspirações pra quem quiser começar! 🙂

bohoberry.com
Kara é a pessoa mais famosa nesse mundo de Bullet Journal, e é a “guia do bujo” pra muita gente!

instagram.com/therevisionguide/
Esse Instagram foi o que mais me ensinou a desenhar coisas fofas! <3

Muita inspiração de decoração e desenho:

instagram.com/my_journaling_corner/

instagram.com/thecoffeemonsterzco/

instagram.com/martyplanner/

instagram.com/write_it_on_the_wall/

PocketfulofDIY

“Flip Through”, ou “gente folheando o Bullet Journal”:

Boho Berry

Gabi no mundo das maravilhas

Amanda Krutsick

Alexandra Plans

By |maio 11th, 2016|De verdade|26 Comments

Música da semana!

21

By |maio 9th, 2016|Música|6 Comments

Stoner – John Williams

Descobri Stoner quando assinei a TAG LIVROS (falo dela no final do post), pois foi o livro indicado de abril pela Letícia Wierzchowski (autora de SAL). Adoro a Leticia e assim que soube que ela estava autografando alguns dos livros que seriam enviados naquele mês, me inscrevi. Não tive a sorte de receber o livro autografado, mas descobri uma história completamente fascinante!

“Às vezes se olhava no espelho, contemplava seu rosto comprido e sua juba de cabelos crespos, e tocava seus malares pronunciados; olhava seus pulsos finos, que ficavam vários centímetros para fora das mangas do paletó, e se perguntava se pareceria tão ridículo para os outros quanto parecia para si mesmo.”

William Stoner nasceu em 1891 em uma fazenda, onde foi criado e trabalhou até o dia em que seus pais o incentivaram a ir para uma faculdade em Columbia. Depois de um tempo estudando agro-qualquer-coisa lá, ele encontra uma paixão inesperada na literatura e começa a estudar para virar professor, profissão que exerce até o fim de seus dias.

A vida toda dele é resumida no primeiro parágrafo do livro, bastante diferente de tudo que eu costumo ler. Mas acabou que aconteceu tanta coisa ~pequena~ na história que acho até engraçado como se parece com a vida real. Aliás, acho que foi o que eu mais gostei no livro: a realidade da vida, contada de uma forma tão magnífica quanto simples.

“No verão após o seu primeiro ano de faculdade, voltou para a fazenda, a fim de ajudar na colheita. Certa vez, seu pai lhe perguntou se estava gostando da escola, e ele respondeu que sim. Seu pai assentiu e nunca mais tocou no assunto.”

Confesso que tive reservas quando vi a data que o livro foi escrito: 1965. Admito que tenho um certo receio de ler livros com uma linguagem muito antiga e obsoleta. Talvez seja um ~trauma~ por ser obrigada na infância a ler livros complicados e inadequados pra minha idade. Pode ser besteira, não sei, mas acabo sempre ficando com um pé atrás sobre isso.

Mas tomei um tapa da literatura bem na minha fuça. John Williams escreve poeticamente, sim, mas de uma forma tão fluída quanto qualquer um dos Young Adults que leio. E tão engraçado e envolvente quanto, também.

“Mas, quando as pessoas iam embora, a fachada desabava e revelava a devastação. Ela fazia comentários amargos sobre os convidados, imaginando obscuras críticas e pequenos desaforos contra ela. Depois, com calmo desespero, repassava o que considerava terem sido falhas imperdoáveis de sua parte. Ficava sentada imóvel e rancorosa em meio aos detritos da festa, não permitindo que William a animasse, dando-lhe respostas breves e desconexas numa voz monótona e inexpressiva.
Só uma fez a fachada rachou em público.”

O livro é de uma poesia só, daquele jeito que eu adoro. A descrição das personagens, do ambiente, das sensações, todas as palavras do autor conseguem captar a complexidade e fragilidade da vida. É uma delícia de ler. Entendo totalmente porque o livro foi indicado pela Letícia Wierzchowski (vídeo dela no final do post). A poética que ela coloca na sua escrita provavelmente também a atrai nas leituras.

Não foi um livro lido desesperadamente, aquela história que te agarra pelos cabelos e corre, com você atrás meio-arrastada-meio-correndo como louca pra saber onde tudo vai dar. A vida de Stoner não tem nada de absurdo, nada de muito misterioso. O que me prendeu foi totalmente a escrita, fluída e gostosa, e as descrições dos personagens. Quase todos os marcadores coloridos que coloquei no início do livro foram em descrições de alguém. Eu lia querendo sempre que aparecessem pessoas novas.

A Estranheza da vida dele também me instigou a continuar a leitura, tentando entender pelo menos um pouco aquele mundo e personagens tão distantes de mim. Stoner foi levado pela correnteza a vida toda, sem realmente lutar por nada. Edith falha miseravelmente tanto no papel de mãe quanto no papel de esposa. Até os pais de Stoner eram personagens ligeiramente desconfortáveis na própria existência.

O livro é genial. Queria muito que John Williams estivesse vivo para ouvir isso.

“Sonhara com uma espécie de integridade, uma espécie de pureza imaculada, mas encontrara a banalidade e a força destrutiva da superficialidade. Aspirara à sabedoria e, no fim de longos anos, encontrara a ignorância. E o que mais?, ele pensou. O que mais?
O que você esperava?, perguntou a si mesmo.”

Livro: Stoner
Autor: John Williams
Editora: Rádio Londres
Número de páginas: 305

VOCÊ CONHECE A TAG LIVROS?

A TAG é um clube de experiências literárias que você assina por R$ 69,90 por mês e recebe em casa mensalmente um kit com livro, revista, marcador e algum brinde fofo. O livro é sempre escolhido por algum nome importante na cultura, e muita gente incrível já participou fazendo indicações: Luis Fernando Verissimo, Susan Blackmore, Mario Sergio Cortella, Patch Adams, Mario Prata, Gregorio Duvivier e muitos outros. Além disso, a TAG libera apenas dicas sobre o livro, que você descobre qual é apenas quando recebe (ou você procura no google, igual eu faço, porque sou curiosa).

A revista é feita pela própria TAG, que reúne informações interessantes sobre a obra, o autor, a pessoa que fez a indicação, e qualquer coisa que enriqueça a experiência da leitura. O marcador de páginas também é personalizado com a mesma capa linda da revista, com arte inspirada na história. O livro vem com uma capa (não sei se devo chamar de capa mesmo) que protege o livro, também com arte feita por eles. E por último o brinde, que varia de acordo com o kit e a obra. Com Stoner veio essa garrafinha LINDAAAAA.
(Ah, e claro, tem a caixa onde vem tudo isso, que é TÃO fofa que eu não consegui jogar fora. Estou pensando ainda em como vou usar e aceito sugestões.)

Assinei em abril, pelos motivos contados lá no primeiro capítulo, e não me arrependi! O livro do mês, publicado pela Rádio Londres, veio em capa dura, com uma arte de capa incrível e que já me chamou a atenção, além de um comentário de Ian McEwan (ainda não tive oportunidade de ler, mas todo mundo parece adorar). Ele é muito bem editado e revisado, um trabalho muito bem feito da editora. Adorei!

 

By |maio 5th, 2016|Resenhas|6 Comments

Música da semana!

By |maio 2nd, 2016|Música|0 Comments

A arte de pedir – Amanda Palmer

IMG_6805

Ganhei A Arte de Pedir de uma das minhas melhores amigas, Marie, que também é blogueira e achou esse livro a minha cara. Ela não podia estar mais certa! Visite o blog dela, eu realmente recomendo!

Amanda Palmer é uma artista em todos os sentidos que essa palavra pode ter. Ela é casada com Neil Gaiman, mãe de um menino lindo e amiga de todos os fãs. Já foi estátua viva de rua, stripper, pianista, compositora, cantora. Criou com seu amigo Brian a banda The Dresden Dolls e já fez (e continua fazendo, mesmo com outra banda) shows pelo mundo inteiro.

“É o seguinte: todo mundo parte de alguma carência. Queremos que nos vejam, nos entendam, nos aceitem, se conectem com a gente.
Todos nós queremos que acreditem na gente.
A única coisa é que os artistas costumam ser mais… veementes a respeito disso.”


Três grandes coisas aconteceram na sua carreira: Conseguiu contrato com uma gravadora (depois de um tempo ela conseguiu liberação do contrato e voltou a ser independente), foi a primeira pessoa a chegar em 1 milhão de dólares com uma campanha no Kickstarter e fez uma palestra no TED TALKS sobre a Arte de Pedir (que lhe rendeu uma proposta para escrever esse livro). Coloquei a palestra no fim do post!
No livro ela vai contando em pedaços as histórias de sua vida, que se encaixam e se completam de uma forma não muito quase nada linear. Ela conta como começou a ser estátua viva, como conheceu e se envolveu com Neil Gaiman, como resolveu ter uma banda, como conheceu e conviveu com seu melhor amigo Anthony. Ela abre as pernas da vida, contando tudo que importa para o leitor. E eu ri várias vezes, porque algumas histórias são engraçadas demais!

“Para mim, ele parecia um velho rabugento, de olho empapuçado, e ele achava que eu parecia um moleque gorduchinha. (Uma foto daquele nosso primeiro encontro fornece provas plausíveis.) Agora ele me parece lindo de morrer e ele diz que eu sou ‘a mulher mais bonita do mundo’. Não é grandioso o amor?”

IMG_6806

Ela discorre, cheia de exemplos da própria vivência, sobre como o ato de pedir está no nosso dia a dia. Fala bastante também sobre troca, mas principalmente como lidou com o medo e a insegurança durante a vida. Em sua cabeça ela nomeou uma tal de Patrulha da Fraude, que é uma sensação (pelo menos ao meu ver) comum a muita gente, aquele sentimento de estar enganando todo mundo, de sentir que não tem realmente autorização do universo para fazer o que faz. Achei esses assuntos os mais “auto ajuda”. O resto do livro é todo biografia.

Essa mulher é muito corajosa. Ela confia imensamente nas pessoas, se doa plenamente ao momento, se joga (às vezes literalmente) nos braços das pessoas. Fiquei completamente envolvida em todas as páginas, me sentindo cada vez mais ~próxima~ dela. A escrita do livro é uma delícia, engraçada, fluída, inteligente, aberta, e como não é linear não tem nem como cansar de algum assunto específico, porque logo ela muda.

Algumas letras de suas músicas e algumas fotos suas foram colocadas no livro também, em pontos estratégicos. Mas a Amanda me conquistou TANTO com a escrita, com a sinceridade nas palavras, que fui atrás dela em toda a internet. Procurei a palestra do TED TALKS que ela deu, fui no seu BLOG, a segui no INSTAGRAM e no TWITTER, vi seus clipes no YOUTUBE, coloquei suas músicas na minha lista do SPOTIFY. Enfim, virei fã, não apenas da artista, mas da mulher que ela é. Muita admiração.

Livro: A Arte de Pedir
Autora: Amanda Palmer
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304

By |abril 20th, 2016|Resenhas|15 Comments

Música da semana!

By |abril 18th, 2016|Música|2 Comments

Música da semana!

By |abril 9th, 2016|Música|3 Comments

Guia de uma ciclista em Kashgar – Suzanne Joinson

IMG_6114

Vi uma resenha ano passado sobre esse livro em algum dos blogs que sigo (desculpe, não lembro qual, se for você deixa o link nos comentários que eu atualizo o post!) e achei bem interessante, com uma capa linda (sou a louca das capas, admito). Uns dias depois a Intrínseca fez uma promoção absurda na Amazon, com livros a 5 reais, e acabei comprando ele. Com tantos na fila, ele ficou pra esse ano, mas não poderia ter lido em melhor hora.

“Sentia algo novo em si mesma, e com horror percebeu que era carência ou, pior ainda, um desejo de estabilidade. Pela primeira vez, seu trabalho não era suficiente.”

São 3 narradores, Evangeline (Eva), Frieda e Tayeb, cada um contando sua história, no seu tempo. Vou contar um pouquinho de cada começo.

Evangeline, que vive em 1923, é uma jovem que, para não ficar sozinha com sua mãe na Europa, mente para todos sobre uma vocação religiosa e segue a irmã mais nova, Lizzie, em uma jornada missionária até a China, ambas lideradas por Millicent. Quando as 3 estão passando por Kashgar, encontram no meio do deserto uma mulher parindo, abandonada, e Millicent faz o parto da criança. Os moradores da cidade aparecem, a acusam de bruxaria e, quando a mãe morre de hemorragia depois do parto, levam Millicent, Evangeline, Lizzie e o bebê para cidade, onde ficam aguardando julgamento. Essa é a história mais impressionante, num lugar de sol muito forte, muita areia e muitos pássaros, e com todo tipo de superstição e costumes bizarros.

“Convenci Millicent da minha vocação missionária. Convenci um editor do valor do meu futuro livro. Cheguei a enganar minha querida irmã, que acredita que estou aqui em nome Dele, para realizar Suas Boas Obras. Eu deveria me sentir esperta. Escapei da Inglaterra, mas por que então, sempre, essa apreensão?”

Tayeb, vivendo no tempo atual, é um árabe que mora ilegalmente na Inglaterra há muitos anos, até que conhece dois homens que tentam violentá-lo e, como ele não cede, o denunciam para a imigração. Ele passa a viver fugido, sentindo falta de seu país de origem e de sua antiga profissão. É o personagem mais artístico do livro, sempre desenhando penas dos mais diversos tipos de aves em todo lugar, principalmente nas paredes.

“O silêncio de Nidal sempre deixava Tayeb nervoso. A maneira como organizava seu prato, comendo certas cores primeiro, a arrumação meticulosa dos armários e a preocupação permanente com a porta do sótão, que tinha de estar sempre bem fechada. Tayeb tinha coceira só de ver Nidal existindo.”

Frieda é uma garota dos dias atuais também, que mora na Inglaterra, mas viaja bastante a trabalho. Ela foi abandonada pela mãe quando era criança e criada pelo pai, de quem não é próxima. Um dia ela recebe uma carta e é convocada a ir na casa de uma senhora chamada Irene Guy, que morreu e deixou tudo para Frieda (que não faz ideia de quem essa mulher seria).

“Era culpa de sua mãe que Frieda tivesse aqueles olhos pretos e sombrios, diferentes dos de seu pai. Culpa dela que Frieda fosse errada.”

Achei esse livro parecido com Sal (veja resenha), no sentido de ver a beleza nas pequenas coisas e a delicadeza da vida e das relações humanas. É muito poético e eu tenho um amor especial por livros assim. A autora realmente sabe fazer descrições e expressa, nos detalhes da fala, a grandeza das ideias.

“Frieda não responde porque está pensando na mãe, pensando que é isso que mães perdidas ou deslocadas fazem, elas pairam sobre o seu aniversário, fazendo chover, lhe dando vontade de chorar.”

Eu me apaixono sempre muito mais pelos personagens do que pela história, então para mim é muito mais importante que eu consiga acreditar nos personagens (e torcer por eles) do que tenha uma história cheia de reviravoltas circenses. O que é importante no que contam são suas experiências e como lidam com cada uma delas.

“Estava exausto. Cansado do pensamento de ter de encontrar algum outro lugar para morar, daquela impermanência; de enfiar na cabeça uma língua que não lhe era natural; de viver em quartos que pertenciam a outros. (…) Acima de tudo, no entanto, estava cansado de si mesmo.”

Todas as histórias vão se entrelaçando no final, unindo-se com coerência, mas sem grandes surpresas. Não que o final seja previsível, é apenas menos importante do que a história em si. Como eu disse, a grandeza do livro está nas experiências das personagens. E quem valoriza isso vai se encantar muito com o livro. Pra mim, foi o melhor do ano até agora.

“Até mesmo o aspecto material das coisas, como comprar passagens, subir nos trens, pegar as barcas, e todas as consequentes trivialidades que fazem parte da organização de tal empreendimento, se tornam, fundamentalmente, uma série de momentos pessoais. Ainda assim, essa é minha tentativa de apreender alguma coisa dessas viagens. Espero que seja uma tentativa valiosa.”

Livro: Guia de uma ciclista em Kashgar
Autora: Suzanne Joinson
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 268

By |abril 7th, 2016|Resenhas|4 Comments

Música da semana!

By |março 31st, 2016|Música|9 Comments
Pular para a barra de ferramentas